Mitos e Realidades

MITOS E REALIDADES SOBRE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Mito: “A violência doméstica só ocorre esporadicamente”.

Realidade: A cada 15 segundos, uma mulher é agredida no país.

Mito: “Roupa suja se lava em casa”.

Realidade: Enquanto o problema não for encarado como de saúde pública, os cofres governamentais continuarão a ser onerados com aposentadorias precoces, licenças médicas, consultas internações. Os níveis de delinqüência juvenil e repetência escolar continuarão altos e as mulheres continuarão a ser mortas.

Mito: “A violência doméstica só acontece em famílias de baixa renda.”

Realidade: A violência é o fenômeno mais democrático que existe, não fazendo distinções de classe econômica, raça ou cultura.

Mito: “As mulheres apanham porque gostam ou porque provocam.”

Realidade: Quem vive violência gasta a maior parte do seu tempo tentando evitá-la, protegendo-se e a seus filhos. As mulheres ficam ao lado dos agressores para preservar a relação, e não a violência.

Mito: “A violência só acontece nas famílias problemáticas.”

Realidade: As famílias afetadas pela violência aparentam ser “funcionais.” Não há pesquisas comprovando que elas difiram de outros tipos de famílias.

Mito: “Os agressores não sabem controlar suas emoções.”

Realidade: Ora, se assim fosse, os agressores agrediriam também chefes, colegas de trabalho e outros familiares, e não apenas a esposa ou os filhos.

Mito: “Se a situação fosse tão grave, as vítimas abandonariam logo os agressores.”

Realidade: Grande parte dos assassinatos de mulheres ocorre na fase em que elas estão tentando se separar dos agressores. Algumas também desenvolvem a síndrome do estresse pós-traumático, que as torna incapazes de reagir e escapar.

Mito: “É fácil identificar o tipo de mulher que apanha.”

Realidade: Em algum período de sua vida, qualquer mulher pode ser vítima deste tipo de violência.

Mito: “A violência doméstica vem de problemas com o álcool, drogas ou doenças mentais.”

Realidade: Muitos homens agridem suas mulheres sem que apresentem qualquer um destes fatores.

Mito: “Para acabar com a violência, basta proteger as vítimas e punir os agressores.”

Realidade: É necessário um processo educativo voltado à infância, para que as relações entre homens e mulheres sejam construídas, desde muito cedo, sem componentes de agressão para obtenção e manutenção do poder. É necessário também proteger as mulheres vitimizadas e promover, aos agressores, uma oportunidade de reflexão e mudança.

http://midia.pgr.mpf.gov.br/hotsites/diadamulher/docs/cartilha_violencia_domestica.pdf


MITOS E REALIDADES SOBRE ESTUPRO E AGRESSÃO SEXUAL

O estupro não é sexo, é violência!

Mito: “A agressão sexual limita-se ao estupro.”

Realidade: Além do ato sexual com penetração (estupro) vaginal ou anal, outros atos são também considerados abuso sexual, como o voyeurismo, a manipulação de órgãos sexuais, a pornografia e o exibicionismo.

Mito: “Estupros são cometidos por estranhos, à noite e em ruas escuras.”

Realidade: Em sua maioria, os casos de agressão sexual são cometidos por algum conhecido, durante qualquer período do dia ou da noite. Grande parte dos casos de violência acontece na própria casa da vítima ou do agressor.

Mito: “O agressor sexual normalmente é um psicopata, um tarado ou doente mental.”

Realidade: Os agressores geralmente são pessoas aparentemente normais. Só uma pequena parcela seria considerada clinicamente louca, por critérios psicológicos.

Mito: “Os homens estupram porque estão sexualmente excitados ou porque foram sexualmente privados.”

Realidade: Os motivos do estupro são complexos e variados, mas incluem hostilidade contra mulheres. Em geral, o desejo de exercer poder e controle, o desejo de humilhar e degradar e, em alguns casos, de infligir dor.

Mito: “O estupro cometido por alguém conhecido não é tão sério quanto o estupro cometido por um estranho.”

Realidade: Qualquer tipo de estupro é igualmente sério. Mulheres estupradas por conhecidos sofrem níveis de trauma semelhantes àquelas estupradas por estranhos. Alguns sentimentos específicos podem variar, mas não a severidade dos sentimentos.

Mito: “Homens não podem ser vítimas de estupro e agressão sexual e nunca podem ser estuprados.”

Realidade: Homens também são vítimas de estupro e agressão sexual. Seus agressores são quase sempre outros homens. A vítima nesses casos não é necessariamente, nem geralmente, gay. Os homens que são estuprados têm muita dificuldade em encontrar pessoas e serviços que os ajudem e muitas vezes sofrem em silêncio.

Mito: “As mulheres provocam o estupro ou a agressão sexual pela maneira provocante de se vestirem ou conversarem.”

Realidade: A roupa ou o comportamento da mulher não são as causas. O estupro ou agressão sexual é uma expressão de poder e controle. Um homem pode justificar sua violência apontando para o comportamento da mulher, mas isso é uma desculpa e não a razão. A impunidade também facilita a agressão.

Mito: “As mulheres mentem sobre agressão sexual e, às vezes, usam isso para se vingar de seus namorados.” 

Realidade: As mulheres não mentem sobre o estupro com mais frequência do que os homens ou mulheres mentem sobre qualquer outro tipo de crime. A vítima raramente mente sobre o estupro. Ao contrário, a agressão sexual é o crime menos denunciado.

Mito: “Secretamente, as mulheres gostam de ser violentadas sexualmente.”

Realidade: As mulheres não gostam e não desejam nenhum tipo de agressão sexual! A crença de que a mulher deseja ser agredida é outra maneira de colocar a culpa na mulher e de justificar um comportamento masculino agressivo. Isso confunde o estupro/ a violência com o sexo.

Mito: “A agressão sexual está associada a lesões corporais.”

Realidade: A agressão sexual não necessariamente deixa marcas físicas aparentes. Por isso é pouco denunciada. Mas o trauma emocional e físico é muito grande e por isso é importante a vítima procurar ajuda.

Mito:A maioria dos casos é denunciada.”

Realidade: Estima-se que poucos casos, na verdade, sejam denunciados. Quando há o envolvimento de familiares, existem poucas probabilidades de que a vítima faça a denúncia, seja por motivos afetivos ou por medo do agressor; medo de perder os pais; de ser expulso(a); de que outros membros da família não acreditem em sua história; ou de ser o(a) causador(a) da discórdia familiar.

Mito: “As vítimas do abuso sexual são oriundas de famílias de nível sócio-econômico baixo.”

Realidade: Níveis de renda familiar e de educação não são indicadores do abuso e as famílias da classe média e alta podem ter condições melhores para encobrir o abuso. Nesses casos, geralmente as vítimas são levadas para clínicas particulares, onde são atendidas por médicos da família, encontrando maior facilidade para abafar a situação.

Mito: “A criança mente e inventa que é abusada sexualmente.”

Realidade: Raramente a criança mente sobre essa questão. Apenas 6% dos casos são fictícios.

http://www.peaceoverviolence.org/emergency/sexual_assault/myths_and_realities  

http://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=20